quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Comentário sobre o bate-papo com o Tiago Hermínio - Marcelo Oiveira Quintaes

Bom.. a entrevista com o Tiago Hermínio está levantando uma discussão séria sobre o lazer capixaba no blog! Quem ainda não leu:


 http://capixabaquersairdecasa.blogspot.com/2011/01/bate-papo-com-thiago-herminio.html


E para esquentar ainda mais... rs, hoje recebi por e-mail do Marcelo Oliveira Quintaes (meu colega de trabalho), esse comentário sobre o bate-papo com o Thiago Hermínio, que merece ser divulgado:





Concordo com a maioria das coisas ditas aí, mas considero que a maior culpa disso tudo somos nós capixabas.

O brasileiro tem autoestima baixa pois achamos que os importados são melhores (tanto gente quanto produtos). Nós capixabas nos achamos pior ainda: somos brasileiros e o primo pobre do sudeste. Achamos que o pessoal do Rio e de São Paulo são melhores no que nós. Então possuímos autoestima baixa duas vezes. Isso é cultural. Para se ter uma ideia, no concurso da Petrobras para Analista de Sistemas para lotação no Rio de Janeiro as primeiras colocações foram de capixabas. (fecha parênteses).
Conforme foi citado na entrevista, quando tem show de artistas da terra por R$10,00 quase ninguém vai. Nem quando é de graça vão. Quando aparece uma peça vinda do RJ ou SP pagam R$60,00 só para ver os artistas da TV. E olha que tem muita pecinha ruim, viu?
Lembro que em 2007 a Petrobras montou um telão na Praia de Camburi. Ia passar o filme Macunaíma. A estrutura era muito boa. Tinham muitas cadeiras para sentar e a tela era enorme. Além dos convidados da Petrobras, apareceram no evento nem 10 pessoas. O tempo estava nublado, mas não tinha risco eminente de chover. Foi o maior fracasso. Nem o filme foi exibido. Conversei com conhecidos sobre o insucesso do evento. Muitos colegas que vieram do Rio informaram que quando realizam eventos semelhantes nas praias de lá sempre fica lotado. Resultado, a Petrobras nunca mais fez outro evento desse porte ou desse tipo.
Em 2005 (não estou certo do ano), a Nestlé/Garoto patrocinou um show do Roberto Carlos na Praça do Papa. Esse evento foi gratuito. Nessa época eu estava fora de Vitória. Soube por amigos que o público foi aquém do esperado. Não me recordo de outro evento desse porte ter sido feito por essa empresa. Deve ser frustrante para o empresário investir tanto dinheiro e não ter o público esperado.
No começo da década passada, havia o Circuito Banco do Brasil de vôlei de praia. Era televisionado para o Brasil inteiro. O banco fornecia camisas para quem fosse assistir. Lembro que nos primeiros anos haviam grande filas para assistir aos jogos. Como nos anos seguintes o Banco do Brasil parou de forneceu as camisas, o público foi sumindo e já se via muitos lugares vazios durante os jogos. Foi indo e acabou.
Numa dessas fui assistir um jogo ao qual não me recordo bem qual  modalidade era. Acredito que era futebol de areia. Nesse dia o tempo estava bastante nublado e chegou até a chover e esse jogo estava sendo transmitido ao vivo pela Globo. Eu era um dos poucos que estava assistindo na arquibancada (e olha que não sou chegado a esportes). Ficava pensando o que as pessoas que estavam assistindo estavam achando desse vazio ao assistir aos jogos. Que emoção os jogadores estariam sentindo ao fazer um gol ou um ponto. O que os patrocinadores e empresários, que investiram nas placas e na transmissão estavam achando de fazer esse evento em Vitória. Eu, sinceramente, no lugar deles não faria outro evento nesse lugar. E parece que foi dessa forma que eles pensaram. Acredito que a culpa desse "sumiço" não tenha sido só da Prefeitura.
Aliás, por falar em Prefeitura me fez lembrar um agravante que aconteceu em Vitória por volta de 2004, quando foi aberta aquela boate na Enseada do Suá, embaixo da Terceira Ponte (não lembro o nome agora - minha memória está ruim. rs). Os empresários investiram um grana violenta naquela boate e, depois de pouco tempo de funcionamento, descobriu-se que ela fazia muito barulho e que não poderia mais ficar ali. A boate teve que ser fechada. Por que só depois que ficou pronto é que proibiram? Será que não era possível se determinar o impacto antes de liberar a licença para construção? Deve ter sido muito duro para os empresários e para quem pretendia investir na área de entretenimento em Vitória.
Também não ouvir falar de ninguém que tenha ido ao Vitória Cine Vídeo. Pelo pouco que pude ver nas reportagens os vídeos pareciam ser interessantes e bem produzidos. É mais um evento de porte nacional ao qual não prestigiamos. Só por curiosidade, a fama de Gramado começou assim, depois da quebra da Ortopé a cidade fico meio que perdida no mundo. Depois do primeiro festival de cinema feito lá, a cidade ganhou repercussão nacional, sendo um dos principais destinos no Brasil.
Não estou falando mal das pessoas que não prestigiam esses eventos. Eu também sou um típico capixaba e ajo da mesma forma que foram relatadas acima. Quando o Thiago fala que nós não nos misturamos (pobre x ricos) nos eventos populares (leia-se gratuitos) muitos desses vazios conseguem ser explicados. Inclusive o do Réveillon, citado no texto. Acabou o show pirotécnico, todos se recolhem a suas casas. Só o povão fica para os shows.
Quando a Prefeitura quer vender um quiosque na praia de Camburi por R$1.000.000,00, fico pensando quem seria o insano que investiria num empreendimento desses: a pessoa teria que pagar esse valor, investir na arrumação do lugar, investir nos insumos, pagar os custeios (salários, materiais) e ainda tirar o lucro em cima disso. Ou ninguém investiria,  ou o cara quebraria rapidamente ou os preços cobrados seriam muito caros para recuperar o investimento, o que também acarretaria na quebra.
Esse foi um exemplo extremo, mas investir em entretenimento em Vitória é muito complicado. Sempre quando saio fico fazendo uma conta por alto: multiplico a conta da mesa que estou pelo número de mesas ocupadas pelo número de rotatividade e concluo que sair na noite em Vitória é caro para quem paga e pouco para quem recebe.
O último caso que vi foi o Espetinho que fica perto do supermercado Perim, na Mata da Praia. Deve ter funcionado por 1 ano e já quebrou. E olha que não ficava tão vazio assim.
Tenho receio de que o empreendimento feito no parque Tancredão possa virar um Centro Cultural Camélia, que fica nas proximidades também, se não tiver segurança e onde parar carro pois é um lugar totalmente fora de mão para a maioria das pessoas.
Recentemente fui a Buenos Aires. Tem um porto na cidade que foi reformado e virou o centro gastronômico da cidade, chamado Puerto Madero. Têm excelentes restaurantes e é o ponto de encontro dos turistas à noite.
Vitória também pode ter algo parecido no Porto de Vitória. Ainda mais agora com a chegada de cruzeiros à nossa cidade que poderia ser uma área de entretenimento durante a estadia desses cruzeiros na cidade. Mas novamente reforço que esse tipo de lugar só vai para frente se tiver segurança pois hoje em dia segurança é a principal premissa.
Outro lugar muito bom para se construir um local desse tipo é o IBC (Instituto Brasileiro do Café - armazém)  que fica na rua da feira, no meio de Jardim da Penha. É inconcebível ter um armazém daquele tamanho no coração de um bairro tão povoado como aquele. Ali daria espaço para um excelente Centro Cultural ou um Puerto Madero capixaba. :)
Em resumo, reclamamos que Vitória não tem muitas opções mas também não prestigiamos as que tem ou as que aparecem. Estamos num ciclo vicioso. Conheço as principais capitais do Nordeste e confesso que não voltaria a nenhuma delas. São cidades do tipo "carimbei o passaporte e não volto mais". Vitória e o Espírito Santo tem grande potencial. Cabe a nós capixabas valorizamos as coisas da nossa terra, divulgando, prestigiando os eventos que aqui aparecem, acabando com a cultura do "lugar da moda" (do tipo fica cheio por 3 meses de depois esvazia), o poder público fazer a sua parte em apoiar (transporte, infraestrutura, divulgação e incentivo) e os empresários investir em inovações e atrações e, novamente, nós prestigiarmos e valorizarmos isso.

Abraços a todos




Marcelo Oliveira Quintaes

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