quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Parte da história de Marataízes é resgatada com reabertura do Palácio das Águias

"Eu tenho mais de 300 fotos em casa, que mostram como o Palácio das Águias estava - em ruínas, abandonado. Quem vê agora como o imóvel ficou fica sem palavras para descrever. O sonho que parecia tão remoto, tornou-se real", falou emocionada Ivilise Soares, neta de Guilherme Soares, que era um dos proprietários do Palácio.

Durante a solenidade de inauguração das obras de restauro do Palácio das Águias, Ivilise acrescentou que ela já está se movimentando com a comunidade para criar uma Associação de Amigos do Palácio das Águias. "Temos que apoiar, fiscalizar e preservar tudo isso que o Governo do Estado nos proporcionou", ressaltou.
O casarão, com 127 anos de histórias pra contar, recebeu visitas de outros descendentes da família Soares, e também de autoridades como o governador Paulo Hartung, e a secretária de Estado da Cultura, Dayse Lemos.

"Já estamos providenciando um projeto de recuperação do Trapiche, grande marco da navegação fluvial do Estado, que foi construído pelo Barão de Itapemirim, na década de 1860. Juntos, os monumentos destacarão todo o valor histórico do balneário", disse Dayse Lemos.

E ressaltou que o "Palácio das Águias tem vocação para ser referência cultural do litoral sul capixaba. Além do restauro, demos ao imóvel uma destinação nobre. Aqui funcionará a Biblioteca Municipal", ressaltou a secretária.

Biblioteca modelo

A Biblioteca Municipal, que antes funcionava em um espaço provisório, está sob cuidados do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Espírito Santo (SEBPES). Uma equipe especializada, em constantes visitas ao município, organizou, analisou, e fez uma triagem no antigo acervo.

Como o espaço do Palácio das Águias é amplo, foi possível montar uma estrutura semelhante à da Biblioteca Pública Estadual. O acervo será todo organizado em divisões: de obras gerais (literatura clássica e contemporânea); de coleções especiais (com setor de obras raras e valiosas, infanto-juvenil, e documentação capixaba); e de periódicos (jornais e revistas). "É a primeira Biblioteca Municipal a ser dividida dessa forma. Os investimentos feitos no espaço farão com que ela se torne referência. Será uma biblioteca modelo, disse Rita Maia, gerente do SEBPES, e diretora da Biblioteca Pública Estadual.
O Governo do Estado, também em parceria com a Prefeitura de Marataízes, já está providenciando a aquisição de mais 1.500 títulos. Somado com a quantidade de livros já existentes, a Biblioteca disponibilizará, em breve, para a população, um acervo de três mil obras.

Também seguindo orientação do SEBPES, a Biblioteca Municipal de Marataízes, assim como outras de 13 municípios do Estado, inscreveu um projeto no edital "Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas", do Ministério da Cultura. Foi contemplado, com outras nove bibliotecas capixabas, e receberá R$ 160 mil para fazer melhorias no acervo.

Restauro

A obra, realizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com a Prefeitura Municipal de Marataízes, teve investimentos de R$ 629 mil. O projeto de restauro do Palácio das Águias foi elaborado por Cora Augusta Duarte Aguieiras - arquiteta urbanista, que respeitou as características originais do casarão.

A construção de um só pavimento sobre porão alto, tem suas quatro fachadas dispostas de forma a serem bem visíveis. Sua planta, em formato de "L", tem divisão interna tradicional para as moradias da época: parte social na frente, íntima no centro e de vivência nos fundos, com um corredor central que dá acesso a todos os cômodos. Originalmente em alvenaria de barro, suas paredes foram construídas diretamente sobre as rochas. O piso e o forro são de madeira, exceto no anexo de serviço (cozinha, banheiros e lavanderia), onde o piso é de ladrilho hidráulico.

O telhado representa, talvez, o único vestígio do edifício colonial original do século XIX. Possui estrutura em quatro águas e é coberto com telhas de barro tipo marselha e enquadramento em madeira.

A fachada de entrada do Palácio apresenta uma platibanda (que emoldura a parte superior de um edifício e tem a função de esconder o telhado) delineada com motivos abstratos e pictóricos. É formada por três frontões caracterizados por formas retilíneas e curvas.


História do Palácio das Águias

O Palácio das Águias tem origem numa edificação simples do século XIX. Seus primeiros proprietários foram Alfredo e Manoel Duarte. Provavelmente serviu como pouso de tropeiros nessa época.

Em 1903, foi adquirido pelo negociante português Simão Rodrigues Soares. Remodelado, o edifício se tornou uma luxuosa residência, chamada de Palácio das Águias por causa de duas esculturas colocadas no telhado, em homenagem aos filhos homens de Soares.

Além das águias, a casa recebeu fachadas em estilo eclético, e dois leões ladeando a escadaria na parte frontal. Até a década de 20 do século passado, o Palácio das Águias se destacava como uma magnífica edificação, palco de históricos encontros políticos durante a Primeira República.

Como patrimônio cultural do Espírito Santo, o conjunto arquitetônico formado pelo Palácio das Águias e pelo Trapiche passou por processo de tombamento, registrado na Resolução n° 01/1998, do Conselho Estadual de Cultura.

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