quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vitória: Da colonização à expansão. Conheça os pontos e monumentos que contam quase meio milênio de história

Débora Herzog
Redação Folha Vitória
Impossível não se encantar com as belezas de uma das capitais mais encantadoras do País. Porém, poucos moradores e turistas sabem a história que existe por detrás de cada rua ou ponto turístico da ilha de Vitória. Com inúmeras riquezas e atrativos culturais, a Capital do Espírito Santo comemora 460 anos nesta quinta-feira (08).
 
A maioria dos monumentos foi construída entre os anos de 1908 e 1912. Até as décadas de 30 e 40 tudo girava em torno do Centro e da Vila Rubim. Logo depois do período da colonização, inúmeras fortalezas foram construídas para evitar o contrabando e os ataques às regiões de minas. Além disso, soldados foram designados para proteger o ouro e as riquezas do Estado. 
 
A capital conhecida por muitos como “Cidade Presépio” recebeu o apelido por ser muito bonita e iluminada. Quando aqui chegavam ainda no período da colonização, os tripulantes dos navios ficavam encantados com as belezas da ilha.
 
Para homenagear a cidade, o jornal on-line Folha Vitória procurou a ajuda do historiador e professor aposentado, Gabriel Bittencourt, para elencar os lugares que contam quase meio de milênio da história da capital conhecida como Ilha do Mel. Embarque nessa viagem pelo tempo e conheça os detalhes da biografia de Vitória.   
 
Ponte Florentino Ávidos
Foto da esquerda: Divulgação PMV. Foto da direita: Divulgação Secom

Foi a primeira ligação da ilha com o continente e significou um avanço da economia do Estado para o comércio exterior. Também conhecida como Cinco Pontes, ela foi inaugurada em 1928 e até hoje liga a Capital do Estado ao município de Vila Velha. Foi construída para fins comerciais, principalmente para o escoamento do café. 

Estrada de Ferro Vitória a Minas  
Construída para desbravar os sertões de Colatina até Minas Gerais em 1903, a estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) é a única atualmente que realiza viagens diárias e de longa distância no Brasil. O trecho percorrido pelo trem passa por cidades históricas dos dois estados e a viagem de 664 quilômetros de Belo Horizonte a Vitória tem duração de 13 horas.
 
Vários produtos, entre eles o minério de ferro, eram inicialmente transportados pelos caminhões, que encareciam o preço final por conta dos altos valores dos fretes. A construção da ferrovia diminuiu os custos e incentivou a criação de várias cidades, principalmente na região do Vale do Aço, em Minas Gerais.

Cine Teatro Glória
Foto da esquerda: Divulgação PMV. Foto da direita: Lucas Rodrigues

Um dos símbolos de lazer na década de 20, o prédio do antigo Teatro Glória foi a primeira construção com cinco andares da cidade. O local foi projetado pelo arquiteto alemão Ricardo Wright e apresenta uma mistura de estilos arquitetônicos.
 
Atualmente o prédio passa por uma reforma para a instalação do Centro Cultural Sesc Glória. A obra começou em 2009 e prevê a reestruturação do espaço que terá sete andares e contará com cybercafé, livraria, galeria de arte, restaurante, cinema, biblioteca, bar, mirante e jardim no terraço.

Porto de Tubarão
 
Localizado no final da praia de Camburi, o Porto de Tubarão foi construído pela Companhia Vale do Rio Doce em 1962 para escoar a produção de minério de ferro do Estado. O local permite o acesso de navios de grande porte e se destaca como o maior porto de exportação de minério de ferro do Brasil.

Porto de Vitória
O mais antigo porto do Estado foi construído no século XX visando a expansão comercial, principalmente para o escoamento do café. Antes de sua construção, os imigrantes que chegavam ao Estado tinham que desembarcar no meio da baía. Em 1860, quando Dom Pedro II visitou o Espírito Santo, foi criado o Cais do Imperador, local onde atracavam os navios menores. 
 
Apesar de também ter exportado outros produtos, entre eles madeira e açúcar, o Porto de Vitória sempre foi cafeeiro por excelência. Atualmente, a diversificação e a expansão econômica desenvolveram o comércio de várias mercadorias, mas até o século XX o café representava cerca de 94% da economia capixaba. 

Baía de Vitória
 
Representava a segurança da ilha e era utilizada para as primeiras navegações. A região favorecia o comércio porque os navios que entravam no porto ficavam protegidos.

Penedo de Vitória
 
Apesar de estar localizada em Vila Velha, a pedra do Penedo foi tombada como patrimônio natural de Vitória e é um dos cartões postais da ilha. Ela mede 136 metros de altura.

Palácio Anchieta
Foto da esquerda: Divulgação PMV. Foto da direita: Bruno Coelho

Um dos grandes cartões postais da capital, o Palácio Anchieta foi construído inicialmente para ser um colégio para os jesuítas no século XVI. A construção guarda o túmulo simbólico do padre José de Anchieta e serve de sede do Governo Estadual desde o século XVIII. Até 1760 o local abrigou o Colégio de São Tiago, que era mantido pelos jesuítas.
 
Aeroporto de Vitória  
Com a expansão da aviação na década de 40, os investimentos ficaram voltados para essa área, principalmente do setor militar. Assim, o desenvolvimento de Vitória expandiu-se para a região de Goiabeiras.
 
No local onde atualmente é o Aeroporto Eurico de Aguiar Salles funcionava o Aeroclube de Vitória na década de 1930. Em uma fase inicial o aeroporto teve apenas uma pista de terra batida. A pista de cimento foi criada durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943.
 
Porém, a inauguração oficial do aeroporto só aconteceu em 1946, quando uma parceira entre o Brasil e os Estados Unidos resultou na elaboração de um projeto de ampliação.
 
Saldanha da Gama
Fotos: Divulgação PMV

A construção de um forte de madeira e palha em 1582 serviu para a defesa da capitania do Espírito Santo de possíveis invasões. Vinte anos depois, com a construção do Forte São João, foram colocados os canhões que até hoje são vistos no local.  
 
Já no século XX, um dos pontos de encontro dos capixabas e visitantes era a casa de diversão Trianon, que foi construída em cima das ruínas do forte. A falência de seu proprietário é atribuída à inauguração do Hotel Majestic, em 1926, que passou a atrair a preferência de vários hóspedes importantes. Depois disso, a construção passou a ser a sede do Clube de Regatas Saldanha da Gama. 

Palácio Domingos Martins  
O prédio que abrigou a Assembleia Legislativa por 88 anos foi construído em 1912. A área que se destacou como cenário cultural e político da capital servirá de sede para a nova biblioteca pública municipal. 

Vila Rubim
Marco na história de Vitória, a Vila Rubim também é chamada de “Cidade de Palha” porque os casebres construídos no local na década de 20 eram cobertos de palha. Atualmente, a região se destaca pelo comércio, principalmente de peixe, temperos, artigos religiosos e produtos típicos do Estado.
 
Cemitério de Santo Antônio  
A região de Santo Antônio foi escolhida para a construção do cemitério no século XIX depois que foi proibido o enterro de pessoas em igrejas por conta dos altos índices de mortes por epidemias. O Cemitério de Santo Antônio foi o mais importante do século XX, principalmente depois que foram inauguradas as linhas de bondes elétricos que iam até o bairro.
 
Possivelmente a região foi escolhida por ser afastada do Centro de Vitória e por acolher várias irmandades. 

Parque Moscoso
Por muitos anos, o Parque Moscoso foi um dos grandes atrativos de lazer para os capixabas. Ele foi criado em 1908 depois que a área de manguezal foi aterrada. O mais antigo parque de Vitória foi inspirado nas transformações arquitetônicas vividas por Paris e pelo Rio de Janeiro na época.
 
A construção considerada belíssima para a época contava com lago artificial, pontes e estátuas com motivos gregos. Anos mais tarde o parque ganhou uma concha acústica, que já foi palco de vários shows, e uma escola infantil.

Cais do Avião  
Até as décadas de 30 e 40 do século XX, uma região nas proximidades do bairro Santo Antônio serviu como o Cais do Avião. O local funcionou por nove anos e foi uma das primeiras ligações aéreas de Vitória com o resto do país. Atualmente um restaurante funciona no local.

Praça Costa Pereira 
 
Fotos: Divulgação PMV

Fotos: Divulgação PMV

Fotos: Divulgação PMV

Com o objetivo de rivalizar o Parque Moscoso, a Praça Costa Pereira é uma homenagem ao presidente da Província do Espírito Santo entre os anos de 1860 e 1863, José Fernandes Costa Pereira Júnior.
 
Considerada o coração da cidade, a área onde atualmente está construída a praça era totalmente banhada pelo mar antes de ser aterrada.

Igreja Nossa Senhora do Rosário
 
Erguida no século XVIII, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi tombada pelo Patrimônio Histórico e mantém suas características originais. É dela que sai todos os anos a procissão de São Benedito, uma das mais tradicionais de Vitória.
 
Com o roubo da imagem de São Benedito do Convento de São Francisco no início do século XIX, proibiu-se a saída da imagem em procissão e ela foi levada para a Igreja do Rosário.

Teatro Carlos Gomes  
Fotos: Divulgação PMV

O teatro mais antigo do Estado abriu as portas pela primeira vez em 1927 depois de herdar as colunas do antigo Teatro Melpômene, demolido após um incêndio. Ele foi projetado pelo arquiteto André Carloni e teve como primeira encenação a peça “Verde e Amarelo”.
 
Só em 1970 o teatro foi reinaugurado e recebeu o lustre no centro do teto e uma pintura de Homero Massena. Em 1983, ele foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. As fachadas foram novamente restauradas em 2004 e o Teatro Carlos Gomes se reafirmou como um importante centro cultural do Estado.
 
Píer de Iemanjá
 
Localizado na praia de Camburi, o monumento inaugurado em 1988 foi feito em homenagem a Iemanjá traz a reprodução da imagem dela com braços abertos e vestes azuis.

Ponte da passagem
Foto: Divulgação PMV

A Ponte da Passagem foi construída em 1930 para ligar os moradores do continente aos habitantes da ilha. Com o crescimento dos municípios da Grande Vitória, ela chegou ao máximo de sua capacidade e foi necessário construir uma nova ponte em 2010.
 
Com 55 metros de altura, o que equivale a um prédio de oito andares, a nova ponte tem 270 metros de extensão, com 22,2 metros de largura. Os 32 cabos de aço, produto símbolo da produção e da exportação do Estado, sustentam dois tabuleiros suspensos a oito metros do espelho d'água para viabilizar, no futuro, a passagem de embarcações pelo canal da Passagem.
 
Escadarias  
Fotos: Divulgação PMV
Escadaria Carlos Messina

Além de servirem de acesso à Cidade Alta, as escadarias construídas no Centro de Vitória embelezaram a cidade. Destaque para a Escadaria Maria Ortiz, que recebeu o nome em homenagem a um dos maiores ícones das lutas contra os invasores holandeses; a Escadaria São Diogo, que liga a Praça Costa Pereira à Cidade Alta e foi construída no local onde existia o antigo Forte de São Diogo; a Escadaria Bárbara Lindemberg, que fica em frente ao Palácio Anchieta; a Escadaria Dr. Carlos Messina, localizada perto do Centro de Saúde do Parque Moscoso; a Escadaria São Bento, que liga a rua Nestor Gomes à antiga Igreja da Misericórdia; a Escadaria Djanira Lemos, que faz a ligação entre a Avenida Jerônimo Monteiro e a rua Wilson Freitas, e a Escadaria Maria de Oliveira Subtil, que dá acesso ao Hospital Santa Casa de Misericórdia.

Capela de Santa Luzia  
Fotos: Divulgação PMV
Considerada por historiadores a construção mais espetacular do início de Vitória, a Capela de Santa Luzia é a edificação mais antiga da cidade. A capela foi erguida em cima de uma pedra no século XVI, antes mesmo da fundação da capital, na região hoje conhecida como Cidade Alta. Ela fazia parte das terras da fazenda de Duarte Lemos.

Praça do Papa
Com uma visão privilegiada para a Capital, a Praça do Papa foi construída em homenagem à uma missa celebrada no local pelo papa João Paulo II em 1991. A área conta com restaurantes, área de eventos e parque infantil.

Convento de São Francisco
 
Fotos: Divulgação PMV

Situado na Cidade Alta, o Convento de São Francisco mantém preservado o sino, a fachada, as colunas e a muralha. O local começou a ser construído no final do século XVI e foi o primeiro a ter abastecimento de água na Capital. Até 1908 funcionou um cemitério municipal nas proximidades do convento.
 
Várias irmandades já usaram o local, que também funcionou como orfanato, rádio, colégio e enfermaria para atender vítimas de epidemias. Atualmente, o convento abriga entidades ligadas à Igreja Católica.
 
Catedral Metropolitana de Vitória

 
Foto da esquerda: Divulgação PMV. Foto da direita: Secom 

Substituiu a Igreja Matriz de Vitória e é muito importante para a preservação da memória da cidade. Símbolo da arquitetura história da ilha, a catedral começou a ser construída em 1920 e as obras só foram concluídas 50 anos mais tarde. Os vitrais, que são o destaque da construção, foram doados por várias famílias e religiosos. No subsolo há uma capela onde estão enterrados alguns antigos bispos do Estado.
 

 
Considerada por historiadores a construção mais espetacular do início de Vitória, a Capela de Santa Luzia é a edificação mais antiga da cidade. A capela foi erguida em cima de uma pedra no século XVI, antes mesmo da fundação da capital, na região hoje conhecida como Cidade Alta. Ela fazia parte das terras da fazenda de Duarte Lemos.
Fotos: Divulgação PMV

Um comentário:

  1. Muito bacana ver alguém divulgando esse estado que é tao lindo e tao pouco comentado, cabe a nos capixabas mudar isso.
    Parabéns mesmo.

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