terça-feira, 18 de abril de 2017

Exposição Imanência leva visitante a refletir sobre racismo e a valorizar o fenótipo negro







De forma interativa e multimídia, a mostra pretende incentivar a discussão étnico-racial nas escolas tendo o cabelo crespo como fio condutor e será aberta no próximo dia 18 de abril
O racismo, infelizmente, está presente na vida escolar e grande parte dos educadores ainda não dispõe de instrumentos pedagógicos para combatê-lo. A partir de processos co-criativos desenvolvidos na primeira etapa do Projeto Imanência, os relatos de profissionais da educação sobre o cotidiano escolar e suas próprias histórias de vida deram origem a um vasto e sensível material multimídia que fará parte da Exposição Imanência, cuja abertura será no dia 18 de abril, às 19h, no Raiz Forte Espaço de Criação, Centro de Vitória.
O objetivo é levar o visitante a experimentar parte do que foi desenvolvido na Imersão, primeira etapa do Projeto Imanência desenvolvida junto a educadores, no último mês de março, que se inscreveram para participar da atividade. A visitação é gratuita e acontecerá de quarta-feira a sábado, das 8 às 12h e das 14 às 18h, até o dia 18 de maio.
  Assim como aconteceu na Imersão, a Exposição Imanência propõe um roteiro metodológico dividido em quatro momentos, todos atravessados por processos colaborativos e de co-criação: SenteRemonta; e Deixa. Na mostra, cada momento ocupará um ambiente diferente, estruturando uma obra aberta, uma vez que os visitantes poderão contribuir com a construção de novos conteúdos.
Para a designer e idealizadora do Macunaímãs, Juliana Lisboa, mais do que obras, a exposição é de histórias de vida: “vamos mostrar as experiências das pessoas que passaram por aqui na Imersão, como um ponto de vista se encontra com outro”, diz. “Na educação infantil, a gente tem a fala do aprender brincando. Se você fala em jogo, a aceitabilidade é maior, torna-se algo mais acessível. Vai ser mais interessante pensar e aprender junto com os outros. É nessa perspectiva que buscamos trabalhar o tema das relações étnico-raciais”, aponta a arte-educadora do projeto, Tatiana Rosa.
O cabelo crespo como fio condutor
Questões que envolvem o cabelo estarão muito presentes na exposição, já que, segundo Tatiana, na proposta do Imanência, a problematização da aceitação do cabelo crespo na sociedade funciona como ponto de partida para o debate sobre a identidade negra: “a partir do cabelo crespo, a gente consegue articular a questão da história do negro no Brasil e como isso pode repercutir positivamente e ser problematizado na educação. Se uma criança consegue aceitar e respeitar o seu cabelo como ele é, ela é uma criança possivelmente consciente de sua história, que sabe por que ele é daquele jeito, com aquela textura; mas, se você ainda vê, como é predominante, crianças desde já com cabelos alisados, por exemplo, é porque algo precisa ser trabalhado. Não é o cabelo apenas como estética, mas como um ato político, uma fortaleza para trazer à tona toda sua história”.
A expectativa é que parte do público visitante seja de alunos levados pelos educadores que participaram do processo de Imersão. Essas turmas poderão interagir, participar da exposição, que tem caráter multimídia. Com as visitações, espera-se, além de oferecer meios para se colocar em prática a Lei nº 10.639/2013, também sensibilizar os demais membros da comunidade escolar a repensarem saberes e percepções sobre a temática étnico-racial e sobre o racismo e, dessa forma, colaborar para tornar a escola um espaço mais democrático e menos segregador.
Visitação agendada
Além da presença espontânea do público, professores da educação formal e educadores de iniciativas socioculturais diversas interessados em proporcionar uma reflexão sobre a temática étnico-racial para seus educandos podem solicitar uma agenda de visitação na Exposição Imanência. As visitações de turmas contarão com a presença de mediadores culturais que conduzirão um roteiro lúdico e estético-político por seus espaços e instalações. O agendamento de turmas é gratuito e deve ser feito através de um formulário on-line (https://goo.gl/forms/XCeqp4nBz5aqv6m52). No formulário, deverão ser  informados o nome da escola ou instituição, o ano escolar ou faixa etária da turma, nome e telefone de contato do educador/acompanhante responsável. O limite para cada turma é de 40 pessoas, incluindo acompanhantes.
O projeto Imanência é resultado da parceria entre o Raiz Forte e o Macunaímãs e conta com recursos do Fundo Estadual de Cultura do Espírito Santo, por meio de projeto contemplado pelo Edital nº 002/2016 - Valorização da Diversidade Cultural, e apoio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab-Ufes) e do Programa Afro-Diáspora, da Universitária FM 104.7.

Raiz Forte + Macunaímas
A parceria entre o Macunaímãs e o Raiz Forte se deu em 2016, no Museu Capixaba do Negro, ocasião em que essas duas iniciativas promoveram a capacitação de 26 arte-educadores da Grande Vitória. Dessa experiência e inspirada na pluralidade étnico-racial brasileira, foi desenvolvida a coleção de imãs para geladeira: “Macunaímãs Raiz” que é composta por quatro kits de personagens com adereços e formas que possibilitam inventar cabelos e penteados, além de ser uma alternativa para a falta de produtos dessa natureza no universo dos brinquedos.
Criado em 2012, o Projeto Raiz Forte teve como foco a valorização do universo negro feminino por meio dos cabelos e buscou expor como as mulheres negras sofrem, ainda nos dias de hoje, para “adequarem” a padrões estéticos eurocêntricos. Fez isso por meio de fotografias, vídeos e textos que podem ser acessados no site do projeto: www.projetoraizforte.com.br. Atualmente, essa iniciativa conta uma sede denominada “Raiz Forte Espaço de Criação” onde agrega propostas e iniciativas artístico-culturais diversas que dialoguem com as discussões sobre africanismo, negritude e feminismo, funcionando como um pequeno centro cultural destinado a exposições, intercâmbio de artistas, venda de produtos educativos, ensaios e escritório.
Criado em 2011, o Macunaímãs (www.macunaimas.com.br) é uma marca de ímãs de geladeira ilustrados que expressa a diversidade cultural e étnica brasileira em suas coleções de personagens. Desenvolvido pela designer Juliana Lisboa, o projeto busca  transformar em brinquedo representações de pessoas e suas diferentes formas de beleza. O resultado são kits de ímãs formado por personagens e diversas peças - roupas e adereços - que podem ser posicionados de inúmeras maneiras conforme a criatividade de cada um. Essa marca já retratou temas como a valorização da mulher, nudismo, diversidade de gênero, cultura negra urbana, cicloativismo, entre outros.
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Sobre o Projeto Imanência
Etapa 1 – Imersão do Imanência: educadores, em contextos visuais e multimídias diversos, foram convidados a pensar formas de mediar os efeitos do racismo no cotidiano escolar.

Etapa 2  – Exposição Imanência: aberta ao público em geral, a exposição deverá provocar interações com o visitante com o uso de recursos multimídia, além de apresentar a reconstrução das experiências dos educadores vivenciadas durante a Imersão.
SERVIÇO
Exposição Imanência
De 18 de abril a 18 de maio
Entrada gratuita e aberta ao público em geral
Para agendamento de visitas: https://goo.gl/forms/XCeqp4nBz5aqv6m52
Visitação de quarta-feira a sábado, das 8 às 12h e das 14 às 18h
Local: Raiz Forte Espaço de Criação – Escadaria do Rosário – Centro – Vitória
Mais informações no site do Projeto Imanênciawww.imanencia.art.br
Informações à Imprensa:
- Patricia Galleto / 27-98877-1290 / patricia_galleto@yahoo.com.br;  projetoraizforte@gmail.com

Fonte: https://secult.es.gov.br/Not%C3%ADcia/exposicao-imanencia-leva-visitante-a-refletir-sobre-racismo-e-a-valorizar-o-fenotipo-negro

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